Fazendo Arte

Este blog é destinado aos apreciadores da arte, aquela sem compromisso, aquela cujo único objetivo é expressar os sentimentos, seja na poesia, nas citações, nas histórias pitorescas ou até mesmo nas pinturas em tela, enfim nas próprias vivências...

Fazendo Arte

Este blog é destinado aos apreciadores da arte, aquela sem compromisso, aquela cujo único objetivo é expressar os sentimentos, seja na poesia, nas citações, nas histórias pitorescas ou até mesmo nas pinturas em tela, enfim nas próprias vivências...
<  Março 2009  >
S T Q Q S S D
            1
2 3 4 5 6 7 8
9 10 11 12 13 14 15
16 17 18 19 20 21 22
23 24 25 26 27 28 29
30 31          
Receba os posts
Terra Blog

Categoria: Meu tipo inesquecível

27.02.09

Antonio de Sommer Champalimaud

Famoso industrial franco-português, era armador, banqueiro internacional, dono de império cimenteiro na Europa e África e tinha se empolgado pelo Brasil na década de 1960, por ocasião do governo de Juscelino Kubitschek. Consta que teria feito promessas ao nosso governante de trazer para o nosso País, a sua experiência no campo financeiro e no campo industrial.
Aqui ele se instalou como industrial, inaugurando a Soeicom Cimentos no Município de Vespasiano, a setenta quilômetros de Belo Horizonte.
Organizou todas as outras Empresas daquela holding, como, por exemplo, a Tração Transportes, a Gestil de Participações Industriais e Comerciais, a Sogesta de Expansões e Negócios, a Tagide de Representação e Comercialização, a Real Rio de Seguros, a Taxi Aéreo Sinuelo , a Fazenda Três Rios, a Fazenda Imperatriz do Maranhão e outras tantas no sentido de aumentar o seu poderio industrial no Brasil.Não estando satisfeito com a forma política , tributária e social das leis do nosso País , resolveu ao final da década de 1980 retornar para a Europa deixando todo aquele complexo industrial e agro-pecuário arrendado à brasileiros que, conhecedores do nosso sistema, teriam mais facilidade em manter os negócios em giro.
Foi uma pena o regresso,pois era um saudável industrial e banqueiro, que, sem dúvida, sofreu injustiças numa terra ainda sem formação, que ainda o perseguiu com a triste ousadia da imprensa marrom, notória em todos os povos de terceiro mundo.

20.02.09

Carlos Gomes Calcado

Cidadão mineiro de Sete Lagoas, era Diretor de Banco, de fina educação, bem relacionado, filho de fazendeiro que, comigo, mantinha um interesse de relacionamento profissional, como garantia de bom entendimento na conta bancária que eu comandava aqui no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.
Diariamente me procurava para oferecer serviços do Banco, para manutenção de uma parceria com fundamentos comerciais, uma vez que era a única Instituição Financeira com agência naquela Cidade. Por esse motivo havia sido contemplada com um posto avançado dentro da Fábrica, onde eu trabalhava.
O que sempre fez com que eu utilizasse os serviços do Banco, foi a cordialidade de negócios e praticidade que era dada as operações comerciais que a nossa Empresa necessitava, como o financiamento das folhas de pagamento dos funcionários, empréstimos pessoais para os trabalhadores, financiamentos do Finame e encaminhamento de outros negócios através de uma Financeira, dirigida pelo seu irmão.
Era um contador de estórias e a mais interessante que me narrou foi, como ele mesmo dizia, a mais importante de sua vida.Mesmo sendo filho de um rico fazendeiro de gado leiteiro, ele construiu sua vida com o seu próprio trabalho e tudo que possuía era fruto de seu esforço pessoal.
Seu pai, como ajuda inicial de vida, deu-lhe um caminhão cheio de, aproximadamente, vinte mil quilos de queijo minas frescal, dizendo-lhe: - esta é a ajuda que lhe dou o resto é contigo. Vai em frente!
Carlos Calcado estremeceu e pensou que deveria trabalhar com muito cuidado para fazer daquela carga o seu futuro.
Juntou mala de roupas, pediu a benção aos pais e partiu em direção ao Rio de Janeiro. No caminho, tentava vender os queijos nos mercados, restaurantes, bares, etc..., pois como era produto perecível tinha que ser vendido rapidamente.
A dificuldade era grande, pois só podia vender à vista e ninguém se dispunha a pagar, visto que todo o comércio já tinha seus fornecedores que faturavam a mercadoria.
O medo começou a atormentá-lo e tinha a certeza de que perderia todo o queijo.
Foi então que uma sábia idéia acercou-se de sua mente: iria trocar o seu queijo por produtos não perecíveis como fumo de rolo, caixas de charuto, cigarros, material escolar, papel para embrulho. A idéia foi totalmente aceitável nos pequenos mercados e, assim, pode continuar sua viagem de mascate sem qualquer receio de perder a sua carga.
Quando chegou ao Rio de Janeiro, já havia conseguido vender ou trocar quase todos os produtos , obtendo dinheiro para abrir seu próprio negócio.
Hoje, sei que ele voltou a ser fazendeiro em Sete Lagoas, porque o Banco em que era sócio-diretor sofreu intervenção do Banco Central.
Sabe-se que, homem criativo, produz “humos” para a agricultura, criadores de minhocas e ainda presta assessoria a diversas empresas de agropecuária.

13.02.09

Um português do barulho

Conheci um lusitano teimoso, convicto e endiabrado cujo nome de guerra era “Lomba” .
E quanta coisa interessante esse gajo me passou!...
Vamos dar aqui uma ordem aos fatos mais interessantes que até hoje, sobrevivem em minha memória.
Chegou ao Brasil por volta de 1976, logo após a Revolução dos Cravos em Portugal ocorrida na década de 1975. Ele fazia parte do “staff” do mais famoso empresário para quem trabalhei , que veio para o Brasil se estabelecer como industrial, banqueiro e pecuarista.
Mas, vamos ao Lomba. O Lomba na verdade, lá em ‘Leiria’ tinha como função, ser o responsável por todo o serviço de capatazias nos principais portos de Lisboa, Leiria ou Cidade do Porto.
Pela grande responsabilidade do seu trabalho em Portugal e como todas as empresas do meu patrão haviam sido encampadas pelo governo revolucionário, deixou o pobre Lomba, assim como outros famosos executivos, sem função específica.
Daí então, serem trazidos para o Brasil para ocuparem cargos correlatos no Grupo onde eu trabalhava já há quase três anos.
Conto aqui o primeiro episódio:
Estava eu em minha sala de trabalho, quando o Presidente do Grupo, entrou acompanhado do Sr. Lomba, dizendo-me: - aqui está uma pessoa de alto “”valore”” para o nosso grupo. Trata-se de um gajo muito entendido em coisas do porto, nos embarques e desembarques das importações e exportações. Ligue-se a ele e terás um bom conselheiro em outras “”coisitas”” mais.
Então, eu muito atencioso, puxei uma cadeira para o Lomba dizendo: - senta aí para a gente conversar.
Logo em seguida, arrependi-me do que disse, pois ele se sentou e foi logo disparando : as coisas aqui não devem ser muito diferentes das de lá. Vai ser muito fácil para mim, e o meu primeiro teste, vai ser desembaraçar a minha própria carga de mudança para o Brasil. Aí sim, eu ficarei senhor da situação.
E continuando, me fez outras solicitações, sobre visto de passaporte, carteira de identidade, carteira profissional, cartão do imposto de renda, bairros onde poderia residir no rio, conta bancária,etc...
Eu, muito à vontade , escrevi todas as informações para ele colocando-me às ordens para qualquer outro problema no futuro.
Não passou tanto tempo assim , quinze dias após, vem aí o primeiro entrevero da era Lomba:
Recebo um telefonema da empresa Nicolau Hayes , me perguntando se trabalhava comigo um indivíduo com o nome de Lomba. Respondi afirmativamente e me disseram espantados, do outro lado da linha, ele é louco!...
Então eu disse: - não o conheço bem ainda, ele chegou a menos de quinze dias no Brasil.
Tornaram a me perguntar: - esse gajo está mudando para o Brasil?
Respondi que sim, e eles, deflagraram a ira profissional, dizendo indignados: - você sabe que ele está trazendo uma carga de quase duzentas caixas, e que a maioria delas contém armas, revólveres, carabinas, metralhadoras, espingardas, marfins de elefantes, peles de onças, etc, etc...?
Fiquei traumatizado com aquela informação, peguei imediatamente o telefone, ligando para o Lomba e dizendo: -estamos num impasse, a nossa alfândega aqui no Brasil, não está aceitando o desembaraço da sua carga de mudança, uma vez que, a sua carga de móveis e utensílios está sobrecarregada de armamento .
Ele tranqüilamente me respondeu:
-eu não te contei que eu era caçador em Portugal?
Então, eu respondi ao Lomba que caçar no Brasil é bem diferente do que caçar em Portugal. Ainda por cima, estamos vivendo a ditadura militar, vai ser impossível o desembaraço de sua carga. Prontamente, ele respondeu:- “”ai ééé...””? então mande jogar minhas armas ao mar!
Este foi primeiro teste do Lomba como despachante alfandegário no Brasil, um verdadeiro fiasco!
Mas não paramos por aí não, veio o segundo entrevero:
A esposa do Presidente do Grupo iria fazer uma viagem à Lisboa e solicitou ao Lomba que queria levar com ela o automóvel Passat, último tipo, comprado no Brasil, para mostrar aos seus amigos portugueses.
Lomba muito obediente,por sinal, veio até mim e disse: - tenho que despachar o Passat da esposa do nosso Presidente para Portugal, ela quer levá-lo na viagem de férias, o que tu achas ?
Eu lhe disse que era impossível e ele continuava insistindo: - mas a palavra de meus patrões valem muito, eu vou despachar o carro assim mesmo.
Eu fiz um alerta:-você vai ver o preço deste despacho depois...
Quando recebi as notas de capatazias para pagar, fiquei indignado e disse :- sabe você, quanto custou esta brincadeira? , ela ficou em mais de oitenta por cento do valor do carro, só de taxas alfandegárias. Essas despesas ficaram a débito de sua conta pessoal.
Mas ainda não paramos por aí, vamos continuar com as histórias do Lomba...
Após a volta da esposa do Presidente, que residia em uma das fazendas do Grupo, na Fazenda Três Rios, no Município de Unaí, ela necessitou de um novo trabalho, e pediu ao bravo Lomba, que fizesse o transporte de uma máquina de lavar roupas para a Fazenda,em caráter de urgência.
Prontamente o referido serviçal a atendeu, amarrando a máquina de lavar ao teto daquele mesmo Passat, (o tal carro que foi passear em Portugal) e saiu viajando pelas estradas de barro, em direção à Fazenda, esquecendo de um pequeno detalhe importante: aquele tipo de estrada é por demais acidentado e isto causou ao teto do carro um afundamento natural a cada balanço, no percurso da viagem.
Em dado momento ele começou a sentir um peso em sua cabeça, olhou para cima e viu que tratava-se do teto do carro. Na realidade, ele conseguiu obedecer a ordem da patroa, mas em compensação , o carro no seguro, após a consulta de sinistro que fiz a corretora, pelo laudo de verificação, foi enquadrado como “perda total” .
Vamos seguindo com as histórias do Lomba, e vamos recordar que ele já estava no Brasil há pouco mais de um ano, quando perguntou-me: - que praia no Rio de Janeiro dá maior tranqüilidade para a família?
Eu respondi: - “Grumari.
Perguntou-me como se chegava até lá e eu informei: - pela orla marítima, passando pelo Recreio em direção a Guaratiba.
Por curiosidade, lhe perguntei qual era o seu carro e ele me disse ser um Galaxie 1968. Chamei sua atenção para o custo de combustível daquele carro, que era muito alto, fazendo apenas três quilômetros com um litro de gasolina, mas ele respondeu que preferia aquele carro para levar toda a família de uma única vez e que com o dinheiro que economizasse da prestação na compra de um carro zero, abasteceria o Galaxie tranqüilamente, durante o mês inteiro.
Dias depois, eu fiquei sabendo que ele foi a Grumari com a família, no possante “Galaxie 68 “, só que retornou para casa rebocado.
Esta não foi a última história da era Lomba, mas seria uma série muito maior, se eu estivesse ainda junto dele até os dias de hoje.
Mas para finalizar, vou contar a que acho mais hilariante. Num determinado dia me encontrava no gabinete do Presidente atendendo a um chamado e de repente entrou pela porta, esbaforido e totalmente nervoso, o famoso Lomba.
O gajo muito aflito, iniciou na sala do patrão uma caminhada, frente à frente, a mesa do Presidente. Ia para lá e voltava para cá, repetindo muitas vezes este trajeto.
O patrão já irritado com aquela estranha movimentação, levantou a cabeça e dirigiu os olhos ao Lomba, dizendo em bom tom: - oh ! Gajo! Senta aí! Tu assim , estás me colocando nervoso!
Aí então para minha surpresa, verifiquei que ele havia ingressado na sala, portando um cigarro aceso, e como era pessoa que respeitava demais o patrão, ficou andando de lado para o outro, para que o patrão não percebesse que ele estava fumando, uma vez que o Presidente era uma vítima do cigarro, sofria de um enfisema pulmonar. Então bruscamente , ele amassou o cigarro na palma da mão e o colocou rapidamente no bolso de sua camisa. Só que ele não teve muita sorte...vestia uma camisa de seda pura e o cigarro inflamou no seu bolso começando a sair fumaça,quando o nosso grande chefe percebeu. Aí então gritou bem alto: oh! Gajo ! Estás a ardere!
Eu então não suportei e fiquei rindo sem parar, pois nunca tinha visto uma piada de português ao vivo e a cores.

06.02.09

A simpática convivência com meu tio Nilo

Meu tio Nilo foi um dos meus sete tios.
Tendo nascido de parto prematuro aos seis meses de gestação, teria menos possibilidade de viver com saúde, ainda mais numa época em que tudo era muito complicado. Como dizia minha mãe, nascer era tão problemático, como morrer.
Lembro que nas historias de família, mamãe contava que o seu primeiro berço foi uma caixa de sapatos, pois como prematuro de extremo risco, necessitava de cuidados muito especiais para sobreviver.
Podemos imaginar a dificuldade da família para que na altura dos seus vinte anos, sem qualquer recurso especial, ele pudesse ser considerado uma pessoa de saúde normal.
No entanto, de todos os meus tios, era o mais inteligente, embora tivesse o menor grau de instrução.
Em compensação, foi durante toda a sua vida, o melhor dos tios e o que mais valeu à minha mãe, sendo sempre o seu fiel escudeiro.
Morou em nossa casa até  o término da sua vida e era um ser bem diferente dos demais.
Não tinha muito juízo, mas alegrava todos os nossos almoços de domingo, com suas brincadeiras e grande otimismo.
Era quem ajudava financeiramente a minha mãe, visto que a contemplava com um pouco do resultado das gorjetas que recebia.
Assim, agradava minha mãe pelos cuidados especiais que lhe devotava com o bom trato de suas roupas e com sua alimentação. Aliás, minha mãe tornou-se sua protetora, desde a morte de minha avó. .
Na época, apesar da pouca idade em relação a ele, sempre cuidou , para que ele pudesse ter algum rendimento, que lhe garantisse o dia de amanhã.
Deu-lhe algumas idéias para que pudesse ter algum dinheiro, um ganho como autônomo, pois era um participante ativo, das nossas noites cariocas, no Edifício Avenida Central, na Avenida Rio Branco.
Sempre nos dias de Natal e Ano Novo, ele fazia questão de brindar a todos, com uma pequena lembrança, e não nos poupava dos seus famosos e engraçados discursos otimistas, onde sempre dizia, que todas as pessoas daquela mesa de ceia, um dia ainda iriam se banhar em muito dinheiro!
E era aquela saudação na passagem de cada ano, que sempre nos trazia alguma alegria, porque, em segundos, ele nos transformava em raros milionários na sua forma otimista de nos ver, falando com bastante ênfase, de pé, na cabeceira da mesa de Natal.
Não possuía nenhum certificado escolar ou profissional, apenas uma carteira de identidade, mas, mesmo assim, conseguia ganhar dinheiro como ninguém.
Causava inveja a muitos chefes de família, com os ganhos recebidos com um sub-emprego, o de abrir as portas dos carros, na entrada do Jóquei Clube do Brasil, na sua antiga sede na Av. Almirante Barroso.
Era um guardador dos carros oficiais, que naquela área, ficavam sob sua responsabilidade. Trabalhou ali, por mais de trinta anos.
No exercício do seu trabalho, teve a oportunidade de se aproximar naturalmente, de todos os Ministros, Juízes, Senadores, Deputados e até mesmo, do Presidente da República, o Getúlio Vargas, chegando, nessa oportunidade a abrir as portas do carro do consulado Americano, que conduzia o Presidente Roosevelt, freqüentemente no Brasil, faturando a sua primeira gorjeta em dólares. Também servia nas portas dos Clubes, inclusive o Clube Naval.
Era muito o que ganhava com as gorjetas, abrindo as portas dos automóveis luxuosos dessas autoridades, visto que empatizava com todos.
Minha mãe sempre dizia que se ele tivesse tido juízo, teria feito um excelente pé de meia.
Por trabalhar na rua e devido a sua grande facilidade de ganho, dele se aproximavam também as prostitutas, os homossexuais, os mendigos e os cachaceiros das noitadas, que se faziam de amigos, para o levar para beber, com a finalidade única, de lhe tomar dinheiro.
Ele se trajava sempre com roupas de primeira qualidade, e o interessante é que nunca gastou o dinheiro do seu trabalho, para comprar suas vestimentas e sapatos, pois ganhava daquelas autoridades. Às vezes, com orgulho, exibia um par de sapatos que não usava em respeito ao dono, o Getúlio Vargas.
Infelizmente, a bebida que lhe faziam pagar na rua, não só prejudicava no resultado do seu trabalho e ganho, como também, o levavam a um estado de total embriaguez, que o fazia até dormir pelas calçadas da Cidade.
Quantas e quantas vezes eu, ainda menino, com muita pena, tentava lhe levantar do chão frio e até molhado pela chuva.
Quando ele conseguia chegar em casa, normalmente estava totalmente sujo, o que causava um impacto pela desconexão com sua roupa alinhada .
Cheirando mal, levava minha mãe ao desespero, quando entrando pela porta da nossa casa a dentro, gritava por ajuda, fingindo estar sendo vitima de forte dor de barriga.
Lembro-me de minha mãe clamando pelo Deus do Céu, Jesus Cristo e Nossa Senhora, enquanto mandava que ele fosse direto para o banheiro, pegasse as roupas e as jogasse no molho direto no tanque de roupas, para que depois cuidasse delas.
Mesmo assim, com todas as dificuldades de vida, ele sempre foi, dos meus tios, o mais honesto, o mais consciente com a minha mãe, aquele a quem eu mais respeitava e com quem mais conversava.
Recordo-me de que me trazia balas e pequenos brinquedos, ajudava ainda nas compras de meus cadernos e livros escolares.
Era dono do maior otimismo de vida, pois a convivência que ele manteve com autoridades e políticos, sempre o levaram ao delírio!
Foi um importante personagem na minha vida infantil, que me fez ouvir pela primeira vez o nome de milhões de contos de reis, a moeda da época, muito difícil de se ganhar. Duvido muito, se qualquer outra pessoa, que mantivesse um papo com ele de, pelo menos dez minutos, não passasse a se sentir um grande milionário !
Lembro também, que às vezes, meu pai, muito nervoso com suas histórias, queria expulsá-lo lá de casa, principalmente por ele fazer minha mãe passar por todos aqueles momentos inconvenientes.
Eu era ainda um menino e a historia mais incomum que ouvi a seu respeito foi aquela, em que ele, na tentativa de imitar os guias espirituais de minha mãe e de outras pessoas que eram ligadas à religião, se instalou na casa de uma mulher de vida fácil.
Lá longe de nossa casa, na Baía da Guanabara, se fazia passar por um guia conselheiro, incorporando simuladamente o “Caboclo Mamador” , que baixava dizendo - Caboclo, mamador, Caboclo, quer mamar - e só atendia as mulheres, mais jovens residentes naquela região, onde ele era totalmente desconhecido,
Além de ganhar pelos trabalhos, ele ainda criava em volta dele, um circulo só de mulheres jovens, que curiosas e ansiosas para obterem os milagres de vida, em relação a casamento, obedeciam as suas ordens quando pedia que colocassem seus seios para fora. E ele saia mamando e repetindo que ao mamar, ele traria bons fluídos às consulentes. Daria força às mulheres para arranjar um bom casamento com um rico pretendente ou um bom emprego.
E eu só vim a saber dessa história, depois que os jornais de Niterói noticiaram a fama do caboclo mamador.
Não preciso dizer que ele foi detido, os jornais fizeram publicação a respeito, mas felizmente para ele, por ser réu primário, foi liberado pela policia, depois que fizeram o pagamento da fiança.
Portador de leve deficiência mental, uma leve esquizofrenia, foi ainda apoiado pela própria justiça, que classificou as mulheres, que lhe deram o seio para mamar, de sem-vergonhas, inexperientes, frizando que elas colaboraram diretamente, para que ele se utilizasse daquela farsa espiritual !
Lembro também da tristeza de minha mãe, quando soube das noticias que corriam nos jornais. - repetia sem parar : que vergonha, que vergonha, meu Deus! Não sei o que fazer com o Nilo!
Desse dia em diante, o tio Nilo, passou a ser um homem mais caseiro, deixando que as prostitutas do centro da Cidade, tomassem conta do dinheiro de seu trabalho honesto, como recepcionista das autoridades de Governo.

30.01.09

O homem que embrulhava dinheiro em jornal

Filho de um famoso major, político do local e irmão do primeiro educador da região, o meu primeiro professor e dono da primeira escola da localidade, o senhor Laureano, marcou a minha infância.
Milionário, era dono de muitas casas na rua onde eu morava, aquela mesma rua, onde a neta da Princesa Leopoldina, era a principal herdeira de quase todos os imóveis.
Ela dominava em posses,quase toda a rua do lado direito, e sobravam ainda muitas residências do lado esquerdo, que pertenciam ao senhor Laureano. 
Ele, além de ser dono de um frigorífico de carnes, ainda mostrava o seu poder com uma vantagem sobre a dona Venina, pois todos os imóveis de sua propriedade eram de construção recente, elaborados pelo seu próprio grupo construtor.
Como proprietário das várias casas daquela região, ele disputava com a dona “Venina”, o título de o mais rico da região. 
Diariamente, ele proprio, fazia o recolhimento da féria de suas lojas e para despistar os gatunos, ele andava com pacotes de dinheiro, fruto da arrecadação da venda dos açougues, embrulhados em jornal.
Sempre que chegava nos bares, após realizar esta arrecadação, ele largava os pacotes de dinheiro, em qualquer lugar, para não chamar atenção.
Assim, segundo ele, desvalorizava a soma de dinheiro que conduzia.
Eu era colega de infância do filho dele, que na classe, era o último aluno, mas que hoje tem uma clínica médica muito famosa, com o diploma comprado pelo pai, a peso de ouro. O senhor Laureano era um impressionante milionário, que já dizia naquela época, que dinheiro comprava  tu
do...